Neste ano, a rede paranaense Condor deve empatar o faturamento com 2014, quando atingiu R$ 3,6 bilhões. Pedro Joanir Zonta, presidente da empresa, conta que, desde o ano passado, a companhia previu uma deterioração do cenário econômico. Mas nem por isso deixou de investir em abertura de lojas. Neste ano, foram duas unidades. A ideia é a rede estar preparada para quando a economia voltar a crescer. O empresário também conta que o Condor promoveu um ajuste de sortimento em todas as filiais. Nesta entrevista exclusiva a SM, ele fala ainda sobre a pressão por reajustes de preços dos fornecedores, combate à ruptura e aquisições.

Pedro Zonta, presidente da Rede Condor, se prepara para quando o País voltar a crescer 

Como foram as vendas da empresa em 2015?

Neste ano foram inauguradas duas lojas, uma em Campo Largo e a de Pinhais. Em 2015, deveremos repetir o faturamento do ano anterior. Ou seja, não vamos ter aumento de vendas. Na atual conjuntura do País, empatar já é bom. Já estávamos prevendo isso no final do ano passado, porque a mudança do segundo semestre de 2014 já foi brusca. Portanto, vamos conseguir fechar dentro do que planejamos.

Então as lojas tiveram retração de consumo neste ano?

Houve redução de consumo, principalmente na parte de eletro e confecções. Tirando esses dois, nós vamos fechar com um bom crescimento no restante. Só que esses dois setores são importantes e a queda deles segura o crescimento da empresa como um todo.

O segundo semestre piorou em relação ao primeiro. Acho que o dinheiro extra que o consumidor vai receber será destinado a quitar compras em atraso. Por isso, estamos prevendo um Natal igual do ano passado.

O que a empresa está planejando para 2016?

O primeiro semestre não deve ser diferente deste. O grande problema do Brasil é a falta de confiança no Governo. Está cada vez mais claro o envolvimento do Governo em problemas como a operação Lava Jato. As investigações estão chegando muito perto das pessoas que estão no poder. Por isso, o consumidor está mais precavido em assumir novas dívidas. Estou prevendo que o primeiro semestre de 2016 será pior do que o primeiro semestre deste ano. Sentiremos mais porque, com material escolar, IPVA, IPTU, sempre há uma carga grande de despesas para o consumidor no início do ano.

A rede Condor já tem programado duas lojas que serão inauguradas no primeiro semestre do ano que vem. Um supermercado no município de Araucária e um hiper em Joinville, que será nossa primeira loja fora do Paraná. Isso faz parte de planejamento antigo. Na hora em que a economia melhorar, estaremos preparados. Se pararmos dois, três anos, quando o cenário se recompor, não conseguimos acompanhar, pois demora muito para construir uma loja. Esperamos que essa crise política que o Brasil está passando se resolva o mais rápido possível.

A rede promoveu ajustes para adequar ao atual cenário econômico?

Não houve fechamento de loja neste ano, mas, desde o final de 2014, reduzimos o quadro de funcionários. Com isso, apesar de abrirmos duas lojas, não crescemos em número de empregados. Vamos fechar 2015 com essa estabilidade.  

Neste ano, algumas empresas, para se ajustar à crise, tomaram decisões como reduzir estoque para diminuir custos e contas a pagar. A rede fez isso?

O que fizemos, em todas as lojas, foi um grande trabalho no mix de produtos. Reduzimos o sortimento, o que ajuda a aumentar a rotatividade do estoque. Identificamos que todas as categorias estavam com excedente. Então fizemos um ajuste com base no que era ideal para cada uma.

O consumidor não reclamou?

Não. Tiramos produtos que poucas pessoas compravam. Tínhamos categorias com 12 itens, sendo que oito eram mais representativos. Nesse caso, eliminamos quatro e o cliente não percebeu. Aconteceu o oposto, porque abrimos mais frentes para os que ficaram, aumentando a visibilidade deles.

Outra decisão que observamos entre os supermercados foi endurecer na negociação, suspendendo compras de fornecedores que insistiam no reajuste de tabelas. Como vocês lidaram com essa questão na empresa neste ano?

Nós analisamos muito as negociações com fornecedores. Sabemos que existem produtos que utilizam insumo importados na produção. Com a variação do dólar, é claro que esses fabricantes não vão conseguir vender pelo menos preço. Ou seja, cada caso é um caso.

Muitos abrem a planilha de custos para mostrar o impacto do dólar. Significa que temos um trabalho muito aberto com os fornecedores, mas não temos aceitado aumento de preço, já que o consumidor perdeu poder de compra. O cliente não tem como absorver reajustes. Por isso, temos que ser muito taxativos nesse ponto e não aceitar aumento de tabela num momento tão difícil como o que Brasil está vivendo.

Como estão negociando com aqueles que querem reajustar preços?

Na verdade, quem determina o preço de venda é o mercado. Não é o Condor nem o fornecedor. Se o preço praticado é um, não tenho como aceitar um aumento. Senão fico fora do mercado. Em Curitiba (PR), é muito forte a concorrência. Então um segura o outro, dentro das condições. Quando um reajusta, observamos que os concorrentes também aceitam. É por conta disso que, de forma alguma, concordo em ser o primeiro a subir preço. Prefiro deixar faltar o produto na área de venda do que colocar mais caro do que o mercado está praticando.

Todos esses pontos que colocamos costumam ter como resultado a ruptura. Vocês sentiram esse problema nas lojas devido a esses pontos?

A ruptura é um ponto que trabalhamos bem forte. Nosso índice é de 3,5%. Como conseguimos uma ruptura tão baixa? Mantemos uma reposição automática com o CD, com entrega diária. Não operamos com estoque baixo, consideramos uma quantidade de segurança até chegar a outra encomenda. Prefiro trabalhar assim do que ter estoque baixo para diminuir o custo financeiro e correr o risco de ruptura. O custo financeiro é de 1,5% ao mês, com a ruptura, eu deixo de vender um produto que me dá 18%, 20% de margem. Então, o maior prejuízo é a ruptura e não o financeiro. Identificamos qual é o ponto exato do estoque para evitar a falta de produto.

A rede pensa em adquirir empresas?

Já me procuraram, mas eram lojas completamente diferentes do perfil do Condor em tamanho, classe social ou eram unidades muito sucateadas. Sem sinergia qualquer. Hoje eliminamos a maioria das lojas pequenas. Nossa menor filial tem 1800 m2, mas será substituída no primeiro semestre do ano que vem por uma de 3.600 m2. Em outras palavras, não operamos loja pequena e é justamente o que mais aparece.