Um aroma para a história

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Um aroma para a história

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Revista Condor – Edição 7

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Das plantações ao turismo. Conheça a importância do café no Paraná.

Falar da história do Paraná sem mencionar o café é tarefa impossível. Produto essencial da cultura e economia paranaense ao longo do século XX, o grão tem sua marca e seu aroma característico totalmente ligados à evolução e ao desenvolvimento do estado, principalmente na região norte, onde as terras roxas, propícias para o cultivo do café, garantiram o sustento de milhares de pessoas durante muitas safras. É verdade que a traumática “Geada Negra” devastou os cafezais em 1975 e obrigou os fazendeiros e produtores a mudarem completamente seus processos.

Desde o fatídico episódio, a produção de café nunca mais foi a mesma e hoje as plantações privilegiam o cultivo de grãos de altíssima qualidade (graças ao território próprio para isso), ao contrário do que acontecia até 1975, quando o foco era na quantidade, para garantir a imensa demanda de importação e exportação. No entanto, se o café não tem mais o protagonismo de outros tempos na economia, atualmente a história do grão tem seu lugar de destaque em outra atividade econômica do norte paranaense: o turismo.

A Rota do Café é um roteiro turístico que envolve nove municípios do norte paranaense num raio de 200 quilômetros e transforma cerca de 30 empreendimentos, entre fazendas históricas, museus, cafeterias, restaurantes e pousadas em atrações turísticas que remontam as memórias do grão no estado e oferecem aos visitantes uma interação única com um elemento que teve papel fundamental na construção social, cultural e econômica do Paraná que conhecemos hoje.

Desenvolvida pelo Sebrae/PR, a Rota do Café possui agências de turismo credenciadas que formatam passeios de acordo com o perfil de cada grupo, de no mínimo oito pessoas. O roteiro também pode ser feito por conta própria, mas Simone Millan Shavarski, gerente do projeto, recomenda aos turistas que solicitem indicações das agências, para que o aproveitamento do programa seja o maior possível.

“Há seis opções de programa: turismo histórico cultural, entretenimento e lazer, gastronomia, turismo rural, ecoturismo e agronegócio. O turista pode optar por um roteiro previamente montado ou mesmo personalizar de acordo com o interesse do grupo. As atrações mais procuradas são aquelas mais ligadas ao café: fazendas e cafeterias, assim como propriedades que trabalham com foco no turismo rural e ecoturismo. As pessoas desejam vivenciar atrações em meio à natureza e desvendar os segredos dos cafés de qualidade”, comenta Simone, que prevê para outubro o lançamento de um aplicativo com que os turistas poderão criar as próprias rotas.

As terras da centenária Fazenda Monte Bello, uma das grandes atrações do roteiro, foram adquiridas entre 1911 e 1915 por Luiz Suplicy, avô de Victor Suplicy Rainer Harbach, atual responsável pelo gerenciamento da propriedade. Ao longo do século passado, o empreendimento – situado no município de Ribeirão Claro – se equipou e obteve grande destaque na produção do café da região.

Hoje, 40 anos depois da trágica geada, as atividades principais variam entre cultivo de frutíferas como lichia e abacate, produção de nozes e uma área de pastagem para engorda de gado e cultivo de milho. No entanto, a história relacionada ao café está devidamente impregnada na fazenda e pode ser devidamente revisitada pelos turistas.

“As atrações mais importantes da fazenda são suas instalações de manejo de café, preservadas desde 1910 – secção de lavagem, terreiros de secagem, tulhas de armazenagem e máquina de benéfico. Os jardins e a arborização também têm destaque, assim como a trilha dentro da mata nativa remanescente e a visita às plantações de macadâmia, café e lichia. O café rural servido para os grupos de visitação também é bem apreciado. Ainda temos uma pequena plantação de 6000 pés de café arábico da variedade Catuaí, sendo que todas as instalações são utilizadas”, revela Victor, antes de lembrar que a propriedade possui uma casa mobiliada e um chalé que podem acomodar até 12 pessoas.

Outras atrações da Rota do Café que merecem uma visita são o Museu do Café de Ibiporã e o Museu Histórico de Londrina Pe. Carlos Weiss, que contam com um imenso acervo de equipamentos, documentos e imagens relacionados à história do café no Paraná. A Fazenda Palmeira se destaca pela estrutura completa e características originais, enquanto a Fazenda Platina aposta em roteiros de turismo ecológico e sustentável. Cafeterias como O Armazém e a Dual são pontos de parada perfeitos para o turista sentir o sabor e respirar o aroma que os ventos do norte do Paraná nunca deixarão de soprar.

Cinco pontos turísticos que não podem faltar no passeio pela Rota do Café

Museu Histórico Pe. Carlos Weiss – Londrina

Situada no prédio da antiga Estação Ferroviária da cidade, a atração convida os visitantes a descobrir a história da colonização e a importância do café para a região.

Rua Benjamin Constant, 900

(43) 3323-0082

Museu do Café de Ibiporã

Tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), o museu reúne um importante acervo da história do cultivo do café e ainda é palco de eventos, exposições e atividades interativas.

Av. Prefeito Mário de Menezes, 1113

(43) 3178-0392

Fazenda Palmeira – Santa Mariana

Fundada por empreendedores suíços, a fazenda mantém até hoje os hábitos de preservação ambiental e ações sociais, além de apresentar uma estrutura completa para produção de cafés comerciais.

Rodovia PR 518, S/nº

(43) 3531-1409

Fazenda Monte Bello – Ribeirão Claro

A fazenda exibe um nostálgico retrato de como foi o auge da produção de café no século passado.

PR-151 km 16 – CP 52

(43) 3536-1173

Café O Armazém – Londrina

Na cafeteria, os visitantes podem apreciar os sabores e aromas dos cafés de alta qualidade que hoje são produzidos no norte paranaense. Para acompanhar, os doces e salgados servidos na hora completam o passeio.

Av. Higienópolis, 602 – loja 12

(43) 3324-8889

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