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Revista Condor – Edição 7

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Atravessando o portão da grande casa, localizada no calmo bairro Bacacheri, em Curitiba, desvendamos um ambiente cheio de inspiração: árvores, flores, bancos de madeira, gatos, cachorros e vozes de crianças. Na primeira sala, corais, conchas e pedras. “Você tem uma relação forte com o mar?”, pergunto. “Lá estão os primeiros animais, as primeiras matérias vivas. São elementos inspiradores”. Depois de mais alguns cômodos, chegamos ao pequeno atelier de Luiza. “Eu sou caótica”, diz a artista de sorriso fácil. Entre mesas e prateleiras estão pequenas peças de vidro transparentes e coloridas, trabalhos iniciados, finalizados, ideias e inspirações. Os pequenos netos, Eva (3) e Joaquim (7), se mantem próximos e caminham com naturalidade em meio a peças de artes frágeis. “Troco muitas ideias com o Joaquim. Eles me inspiram a trabalhar com outras formas”, conta, enquanto mostra pequenas folhas e peixes moldados perfeitamente em vidro.

A arte está na família há muito tempo. Seu pai, geólogo de formação, também é pintor. O trabalho de Luiza Marques, que começou na cenografia, enveredou para a escultura, acompanhando os movimentos de sua vida pessoal. “A arte é a chance que temos de imprimir um pouco de nós para o mundo. A vida é curta, e mágica. É importante que, nessa pequena passagem, nós possamos deixar algo”, explica. Depois de um tempo trabalhando com outros materiais, Luiza entrou em contato com o vidro e, por coincidência, com outra parte artística da família. Pediu autorização ao dono de uma vidraçaria para fazer testes com os materiais, e lá descobriu mais sobre seu avô, belga, havia tido uma das primeiras cristalerias da américa latina. Com o encantamento pelo material, começou uma série de estudos, além do contato com artistas e pesquisadores da área. Para se aprofundar, teve aulas em Santa Catarina e, depois, foi para Nova Iorque, onde o estudo do vidro já está a frente do que acompanhamos por aqui. “O trabalho com o vidro está apenas no começo. O que eu quero, e preciso, é usar a minha passagem para deixar o máximo possível de informações, para contribuir com o trabalho que ainda está por vir, e que ainda tem um longo caminho pela frente. É um campo de estudo imenso”.

Para mostrar como é feito seu trabalho, Luiza nos equipa com óculos de proteção e liga o maçarico, que chega a dois mil graus. O trabalho é calmo e a transformação é encantadora: o vidro, transparente e firme vai, aos poucos, tornando-se avermelhado e maleável. “Me queimo mais na cozinha do que aqui” conta, rindo, a artista, que é fã de tortas. A calma com a qual Luiza trabalha é um pequeno choque para quem a vê falando energeticamente. Ao longo de sua fala, a palavra “equilíbrio” é citada diversas vezes. “Você trabalha com a química, com a física, o vidro é uma alquimia. Ele te faz viajar, e por isso é preciso ter um controle muito grande”, conta a artista enquanto espera o material atingir o ponto que possibilita o desenvolvimento de suas esculturas.

Arte em destaque

Com a aprovação do projeto “Arte do Vidro – exposição e oficina”, pelo edital Mecenato Subsidiado, da Fundação Cultural de Curitiba, Luiza agora trabalha num novo caminho. O projeto, que já está em andamento desde o ano passado, propõe a realização de uma exposição e uma oficina, ambos gratuitos, com as técnicas e aplicações do vidro fundido como principal tema. “Minha ideia é valorizar o trabalho com o maçarico. Quero abrir esse espaço, chamar as pessoas e fazer com que esse trabalho se movimente”, explica a artista. A série de esculturas que faz parte do projeto recebe o nome “Formas e organismos”, cujo ponto de inspiração é a vida de micro-organismos marinhos. Serão sete esculturas criadas e concebidas por Luiza pela técnica Chama Aberta.

Além disso, acontece a oficina “Introdução à técnica de construções artísticas com vidro em Chama Aberta”, que tem como principal foco o despertar do interesse para a técnica como uma ferramenta de expressão artística. Ambos, exposição e oficina, estarão abertos ao público a partir de 01 de agosto.

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